Marcelo Odebrecht, o empresário que hoje aparece em vídeos detalhando esquemas de corrupção e repasses de propina a políticos, tinha um discurso bem diferente antes de assinar delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF). Aliás, ele tinha negado que fecharia o acordo de colaboração. “Para alguém dedurar, ele precisa ter o que dedurar. Isso não ocorre aqui”, disse em setembro de 2015, na CPI da Petrobras.
“Entre o meu legado, eu acho que tem valores, inclusive morais, dos quais eu nunca abrirei mão. Eu diria que entre esses valores, eu, desde criança, quando lá em casa, as minhas meninas tinham discussão e tinham uma briga, eu dizia: ‘olha quem fez isso?’. Eu diria o seguinte: eu talvez brigasse mais com quem dedurou do que com aquele que fez o fato”, completou, na ocasião.
Veja a seguir frases ditas antes e depois do acordo de delação premiada.
Antes e depois: corrupção na Odebrecht
Junho de 2015
Após serem divulgadas as delações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, Marcelo Odebrecht saiu em defesa da empresa.
Abril de 2017
Em vários depoimentos de delação, o empresário confirmou repasses de propina a partidos e políticos do Brasil e outros países.
Em um deles, por exemplo, diz que ofereceu R$ 150 milhões a campanhas presidenciais de Dilma Rousseff. Em troca, conseguiu a aprovação, em 2009, do programa de refinanciamento de dívidas tributárias, chamado Refis, que beneficiou a empreiteira.
Marcelo Odebrecht também afirmou que pagou R$ 10 milhões ao PMDB em 2014, após um jantar na vice-presidência da República. Na reunião estavam Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco.
“Fechou com [Eliseu] Padilha que a gente estava fechando os 10 [milhões] pedidos por eles.”






